Como escolher um pediatra (Com direito a Smart Mommys checklist)

Médico, Médica, Medicina, Saúde, Stetoscope

 

Poderá parecer que sou complicada, mas as histórias, ou melhor factos por detrás desta checklist (podes consultar e fazer o download no final) foram decisivos para me aperceber da importância de escolher bem os médicos que seguem os nossos filhos.

Quando o João nasceu, no dia em que ia ter alta do hospital, como habitual foi observado por uma pediatra. Não me recordo do nome da médica que o observou, mas lembro-me que pediu á enfermeira para me dizer que ele tinha um problema de coração e que tinha que ser visto com urgência por um cardiologista pediátrico. Fiquei em pânico, como é óbvio, ainda pedi para falar com ela mas já tinha terminado o turno.

Marquei consulta para passados três dias, que era a disponibilidade do cardiologista recomendado no hospital, mas entretanto consegui que fosse observado por um cardiologista no dia seguinte. Ambos confirmaram a existência de um sopro e disseram que é relativamente comum acontecer e não havia motivo para a médica me ter deixado naquele estado. Ainda hoje ele é seguido e faz uma vida absolutamente normal.

Quanto à escolha da pediatra, a primeira opção foi uma (outra) médica do hospital onde ele nasceu, em que fui a duas consultas. Não lhe chamaria incompetente, mas para mim a impressão que causou foi que era insuficiente para a atenção e esclarecimentos que queremos num primeiro filho. Passou as consultas a olhar para o relógio e não demoraram mais de 15 minutos.

Mudei para um médico que dava consultas em Vendas Novas (onde vivo), em Évora e que também trabalhava no hospital de Évora, pesquisei referências na internet, em alguns fóruns de mães e através de pessoas conhecidas. A escolha parecia-me bastante satisfatória e conveniente. Até ao dia em que o João adoeceu com febres altíssimas, um tempo horroroso e por sorte ele estava cá nas consultas. Liguei e disse-me para ir para o consultório, mediu-lhe a febre (que não baixava dos 39.5) nos intervalos das consultas, quando chegou ao fim do horário de atendimento, em que o meu filho continuava com 39º, disse-me o seguinte:

– O melhor é ir com ele a uma urgência se a febre não baixar, e não aconselho a de Évora porque tem estado um caos. Não gostei, ora para lhe medir a febre e levar ao hospital escusava de ter ali passado a tarde. Acabei por levá-lo para casa, no dia seguinte fomos ao hospital, onde foi avaliado para diversas possibilidades (incluindo infecção urinária, que causa febres muito altas) e tinha exantema súbito. Ainda fui novamente às consultas, mas pouco depois adoeceu dois ou três dias antes do Natal, com infecção respiratória e quando liguei ao pediatra a resposta foi a mesma das outras vezes. Estava de férias e disse-me que o levasse ao hospital, nem sequer indicou um colega, nem tampouco voltou a ligar para saber se tinha melhorado. Ora para mim esta não é uma atitude que uma mãe espera do médico do seu filho. Óbvio que respeito as férias, mas custava ter indicado alguém? Custava ter respondido ao sms que eu (estupidamente) enviei quando o meu filho foi assistido?

Nunca mais fui ao consultório deste médico e nem fui contactada para saber porque tinha deixado de marcar consultas. Parece-me que não é maneira de se atender nos dias de hoje.

Só vos digo que mudei, e à terceira foi de vez. O médico é de Lisboa e dá consultas na clinica do jardim das Amoreiras, e atende urgências no Hospital de Almada. Nunca esperamos mais de 30 minutos pela consulta e nunca nos deixou sem resposta ou auxilio perante uma urgência. Preenche todos os requisitos que se possa desejar (ver checklist) e estamos muito satisfeitos. Por isso o meu conselho é só um, se por alguma razão não estás satisfeita ou segura da tua decisão, não há problema em procurar outro profissional, até que te sintas confortável, afinal estamos-lhes a entregar o nosso bem mais precioso, os nossos filhos.

Bebê, Menino, Filho, Criança, Baby Boy, Bonito, Pouco

Checklist para procura de pediatras

  1. Que seja simpático e atencioso. Pode parecer estúpido, mas já ouvi histórias de médicos, nas mais diversas especialidades que são autênticas bestas. Eu própria já fui atendida por um espécimen destes! Por isso sei o quanto isto é importante.
  2. Que não esteja restringido aos 15 min que o seguro permite, a cumprir calendário, que observe DE FACTO a criança, que interaja  com ela. Que se demonstre interessado e não se restrinja a pesar e ver tabelas de percentis.
  3. Que seja disponível para os pais, isto é particularmente importante se for o primeiro filho. Deve responder ás nossas perguntas (com boa vontade), ser facilmente contactável (telemóvel). Óbvio que também deve existir bom senso da nossa parte, telefonar só em caso de urgência, para o resto basta um sms ou email.
  4. Com alguma proximidade geográfica, noutra cidade ou muito longe e num local que seja difícil estacionar não aconselho. Ir com os filhos ao médico, já pode ser bastante stressante (se for sozinha, com mais que um, com mau tempo, enfim…), não queiras acrescentar factores de stress a esta equação. Hoje em dia, a maioria dos médicos, pelo menos nas cidades já dão consultas em grandes hospitais com estacionamento. Já não é como quando eu era miúda e era tão difícil estacionar que muitas vezes íamos de táxi para o médico.
  5. Que tenha acordo com a sua seguradora de saúde. Ninguém gosta de ter que pagar 90€ todos os meses para levar o filho ao médico, e pelo menos no primeiro ano as crianças são acompanhadas mensalmente. É claro que o Sistema nacional de Saúde (gratuito até aos 12 anos) também é uma boa opção caso tenha um com que esteja satisfeito na sua zona de residência (não é o meu caso).
  6. Que trabalhe no público e no privado. Como eu gosto de dizer, assim temos o melhor dos dois mundos, a possibilidade de recorrer rapidamente ao médico, no hospital se for necessário, até de ter o nosso filho encaminhado para algum colega da sua confiança caso o médico não esteja disponível e o conforto de ter consultas no privado, normalmente com menor tempo de espera. Além do facto de ser vantajoso a nível de experiência que os médicos tenham experiência nas duas realidades, dá-lhes tarimba, capacidade de reconhecer uma situação urgente e confiança, o que na minha opinião só com trabalho de consultório poderá faltar.
  7. Que não seja um dinossauro. Claro que gostamos de médicos com experiência, mas também não convém um médico daqueles que já está em idade da reforma e que não receita nada além do ben-ur-on. Há momentos em que vemos claramente que os nossos filhos estão atrapalhados, e se temos um médico destes acabamos por perguntar a alguma amiga ou familiar o que dá aos filhos nessa situação, ou recorremos a outro médico, e isso acaba por gerar uma enorme confusão.
  8. Que esteja de acordo com os nossos valores. Não adianta ter um médico que acha uma criminosa uma mãe que não amamenta, se para ela isso é muito doloroso, ou um médico que acha que se deve amamentar até aos dois anos, se para a mãe é suficiente até aos seis meses. Exemplifiquei com a amamentação, porque é um assunto muito importante, mas também serve para outros assuntos como a diversificação alimentar, aleitamento artificial, alergias, desfralde, a medicação etc. Se por alguma razão não se sente em sintonia com o pediatra, não se sente à vontade para colocar perguntas ou acha que é julgada pelas suas decisões, o melhor é mudar, lembre-se que é o bem-estar do seu filho que está em jogo.
  9. Que não a faça esperar duas horas antes de cada consulta. Não é o mais importante, mas acredita que é importante. Não é fácil manter as crianças entretidas muito tempo (pelo menos algumas) e as salas de espera dos hospitais e consultórios estão muitas vezes com outros bebés e meninos doentes, por isso não é boa ideia estar horas com o seu filho nesse ambiente.

De qualquer forma, um conselho que deixo é sempre uns dias antes da consulta olhar para o caderninho do desenvolvimento da criança, onde vêem os comportamentos característicos e espectáveis para a idade. Vê se tens alguma dúvida que queiras colocar, porque senão o que acontece é que as duvidas vão surgir no exacto momento em que saíres do consultório, e aí já é tarde. Em baixo podes encontrar alguns itens que suscitam sempre algumas dúvidas, quando os nossos filhotes são bebés.

  • Amamentação (frequência, cólicas, duração, se deve acordar ou não ao fim de x horas para dar de mamar)
  • Rotina (creche, sonos, posição ao deitar, nº de horas, hábitos intestinais)
  • Transporte (cadeirinhas auto, viagens,
  • Alimentação (introdução de novos alimentos, água, quantidades, forma de preparar)
  • Vacinação (reacções)
  • Higiene (banhos, temperatura da agua e ambiente, fraldas, produtos)
  • Outros (dentição, Tv, regras, linguagem, chucha, biberon)

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Até à próxima!