Ver-te através do vidro -Quase 35 anos depois, Eu e a minha mãe 

Quantas mães passam por isto? Ate hoje não fazia ideia do sofrimento que é ter um filho e não o ter ao nosso lado.

Já tinha uma grande admiração pelas mães, pelo que fazem pelos seus filhos, do que abdicam e no que transformam as suas vidas e as deles. Agora ainda tenho mais…

Não tarda faz dois dias que o Francisco nasceu e só o vi através de um vidro. Só lhe dei um beijo quando saiu de cá de dentro e depois disso toquei com um dedo, através da janela de vidro do seu berço especial.  Que angústia ouvi-lo respirar aflito e nao o poder abraçar, ou alimentá-lo no meu peito ou senti-lo junto ao meu coração onde estava tão bem á dois dias atrás. Queria tanto ter te no meu colo Francisco. Recupera depressa meu amor, tens o mundo à tua espera.


Quando nasci a minha mãe só me viu passados cinco dias, e pelo que me conta nem me pode tocar tampouco. Nasci de sete meses depois de uma ruptura na bolsa por volta dos 5 meses que além dos riscos imensos de infecção e deformações que acarretava, obrigou a que a minha mãe ficasse de cama sem se levantar até a eu nascer. Afinal a medicina era completamente diferente à 35 anos atrás.

Depois em Agosto nasci, tive icterícia e septicemia, complicações que exigiram ainda mais cuidados e mais coragem da minha mãe. Estive semanas na incubadora, longe do colo da minha mãe.  Quando fui para casa pesava 1,630kg, bebia de um biberon de “nenuco”, a minha mãe usava uma bata para tratar de mim, tudo era desinfectado e apenas duas ou três pessoas tinham acesso ao meu quarto. Que coragem que a minha mãe teve, acho que só agora tive uma pequena amostra da mulher que ela foi nesse momento.

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